quarta-feira, 23 de junho de 2021
quinta-feira, 16 de julho de 2020
quarta-feira, 13 de maio de 2020
terça-feira, 21 de abril de 2020
Parada
Passo longas horas deitada. Quando limpo a casa, faço o almoço ou ponho minhas mãos na terra da horta, estou deitada na cama. O estado de inércia não é externo, ele se constrói a partir do não humor para qualquer comunicação. Quero estar só, e ver os frutos do abacateiro da minha janela tornarem-se podres, forçados pelas semanas de descado do contato com a grama. Não tenho ânimo nem para parágrafos. Separá-los seria uma organização do pensamento, que agora me sai apenas como preenchimento do espaço na estética mais primária possível. A sede me pede copo. A fome me pede urgência e eu me emponho latidos agudos, irritantes, constantes. Escuto tudo e nada faço, façam vocês todos. Estou vivendo a angústia de não ter fim, o estranho desejo de querer saber do limite... Entretanto, dizem-me: não se sabe nada, não se sabe nada. Chamam-me agora. Vou deitada, virando os olhos para evitar o sorriso.
quarta-feira, 16 de outubro de 2019
sexta-feira, 3 de maio de 2019
II Mostra Nos Porões da Loucura
Programação do primeiro final de semana da II Mostra Nos porões da loucura - Teatro Marília
Dia 10 de maio, sexta-feira (ABERTURA)
19h30
Apresentaçao dos samba enredos Dos desfiles de 18 de maio da luta antimanicomial
Grupo dos Centros de Convivência da Rede de Saúde mental de BH,
Coordenação: Helvécio Viana e Luna Matos | Classificação: livre | Evento Gratuito
Grupo dos Centros de Convivência da Rede de Saúde mental de BH,
Coordenação: Helvécio Viana e Luna Matos | Classificação: livre | Evento Gratuito
20h30
Espetáculo: Ensaio para Senhora Azul. Direção de Robson Vieira e interpretação de Kelly Crifer.
Classificação: 14 anos | Valor: R$ 40 (inteira), R$ 20 (meia) e R$ 20 (Sinparc). Venda na bilheteria do teatro com 2 horas de antecedência.
Classificação: 14 anos | Valor: R$ 40 (inteira), R$ 20 (meia) e R$ 20 (Sinparc). Venda na bilheteria do teatro com 2 horas de antecedência.
Dia 11 de maio, sábado
20h00
Curta metragem: Gentileza. Direção de Dado Amaral e Vinícius Reis
Documentário | Classificação: livre | Duração: 9 min (Entrada gratuita mediante lotação do espaço)
Documentário | Classificação: livre | Duração: 9 min (Entrada gratuita mediante lotação do espaço)
20h30
Espetáculo: Peixes, de Ana Régis
Classificação: 14 anos | Valor: R$ 40 (inteira), R$ 20 (meia) e R$ 20 (Sinparc). Venda na bilheteria do teatro com 2 horas de antecedência.
Classificação: 14 anos | Valor: R$ 40 (inteira), R$ 20 (meia) e R$ 20 (Sinparc). Venda na bilheteria do teatro com 2 horas de antecedência.
Dia 12 de maio, domingo
18h30
Curta metragem – Françoise. Direção de Rafael Conde
Ficção | Classificação: Livre | Duração: 22 min (Entrada gratuita mediante lotação do espaço)
Ficção | Classificação: Livre | Duração: 22 min (Entrada gratuita mediante lotação do espaço)
19h00
Espetáculo: Rio da Lua, de Madalena Rodrigues
Classificação: 14 anos | Valor: R$ 40 (inteira), R$ 20 (meia) e R$ 20 (Sinparc). Venda na bilheteria do teatro com 2 horas de antecedência.
Classificação: 14 anos | Valor: R$ 40 (inteira), R$ 20 (meia) e R$ 20 (Sinparc). Venda na bilheteria do teatro com 2 horas de antecedência.
20h00
Debate: o feminino e a loucura da violência.
Debatedoras: Ana Marta Lobosque e Madalena Rodrigues.
Debatedoras: Ana Marta Lobosque e Madalena Rodrigues.
terça-feira, 30 de abril de 2019
A fronteira
Entre a vontade, o medo de mudar e a preguiça, empaco no cotidiano. Esse ano faço 40 anos e ando pensando, e muito, em dar aquela boa guinada, em estar, cada vez mais, com os excluídos, com os abandonados, com aqueles que possuem abraços e afetos negados.
A primeira carta do tarot, O Louco, indica um novo caminho, o início, a nova empreitada. Vou?
sexta-feira, 26 de abril de 2019
Tanto a ser escrito, decodificado, estudado, limpado, cuidado e destacado.
Tanto cansaço, tanta vontade de parar e deixar passar.
Tanto movimento que o embora domina.
O dia acaba e não resolvi.
Um mês chegou e só me dou conta quando a conta do cartão de crédito pula no email.
Ando perdida, solta, inerte na grade de horários do outro.
quinta-feira, 25 de abril de 2019
É paradoxal, mas é cotidiano. A forma como desenvolvi a minha metodologia de trabalho na esfera da produção é extremamente solitária. Se faço tudo sozinha, é apenas por falta de dinheiro... Por uma lado gosto, cada vez mais, de autonomia. Por outro, sinto falta de ter com quem trocar, de ter uma outra ideia e opinião que seja mais interessante que a minha.
Entretanto, tenho encontrado mulheres extraordinárias pelo caminho da produção da II Mostra Nos porões da loucura. Mulheres com uma história consistente, que se tornaram estrelas em um sistema que revela muitos seres frágeis. Mulheres que são fonte de inspiração para qualquer um. E são todas professoras, essa profissão que tanto amo.
terça-feira, 23 de abril de 2019
Voltando....
Ainda estou pensando em como gerir tanta informação.
Tenho escrito cada vez menos, e sinto falta de fazê-lo. Talvez, pela obrigação de estar sempre por aqui (os robôs do Google já me esqueceram), buscarei uma disciplina que nunca tive na escrita.
sexta-feira, 6 de junho de 2014
Presa na política do tarot
Mais uma vez escrevo sobre você que não conheço. E me sinto
como os dominicanos Betto, Fernando, Ivo ou Tito, que pela arbitragem do
destino almejam a liberdade a cada dia vivido sem o ir incerto em cada caminho
ditado pelo desconhecido. Escuto falar de você e seguro para não me levar ao
desespero, como o conceito ensinado pelos citados acima acerca da liberdade.
O amor é a liberdade na incerteza. Me sinto só e revoltada
porque sei que você vai chegar de dezembro a março, como o fim da pena de um
preso político que almejou apenas o bem do outro, como sonho com nossos
encontros onde só te quero bem. E seguro minha revolta que se expande em cenas
de torturas e noites não dormidas, renegadas pelo desejo simples de reivindicar
aquilo que um dia será meu. Como o conceito de mudança de presídio, onde saio
de um relacionamento e me encaixo em outro. De Presídio
Tirandentes a Penitenciária do Estado ou, quem sabe, Carandiru.
Se uso a radicalidade dessa metáfora é porque me sinto presa
a tal solidão, como cela forte naquela época, onde o isolamento se fazia
contraditório a todo movimento tão perto e, entretanto, distanciado pelas
paredes do tempo em que não te encontro. E vivo a injustiça, um pedacinho que
esses lindos homens viveram contra o regime ditatorial (e tenho certeza, se
tivesse nascido nessa época provavelmente não escreveria mais nada).
O sonho é a liberdade, e é esse o meu alicerce. Agora tenho
um tempo, agora tenho uma idade indefinida, depois tenho uma geografia e
proibições que me servem como guia. Apenas me revolto com esses meses pesados,
como prisioneira política mesmo, onde não dialogo com meu fardo de existir
naquilo que eu mesma defini antes de aqui estar.
domingo, 1 de junho de 2014
Na Inocência de um Delírio
Desculpem: não
presto.
Adoro furar sinais,
só pelo simples prazer de acelerar o carro e fazer algo errado, bem
errado. Gosto de coisas rápidas,
rápidas, que me arrebatam e chegam e passam que eu nem percebo e muito menos me
canso delas. Oh desculpem mas já tive muitos dias felizes na minha vida. Sorrio
apenas com o lado direito da boca e me sinto malvada com todas as culpas do
mundo. Compartilho delas mas hoje quero esquecê-las, a todas que me fazem
acordar de madrugada e teimam em me lembrar que não escovei os dentes antes de
cair na cama, bêbada de um vinho que não paguei. E me imagino crooner de uma
banda finlandesa de amputados em Angola, cantando um rock de quinta categoria
para a burguesia fingidamente cega a miséria do explícito na esquina, de
vestido dourado, errando todas as letras e cuspindo, de forma muito sensual, no
palco que não me pertence. Que alegria ingênua em dirigir meu carro sozinha
pela madrugada na certeza de que polícia nenhuma dá conta do meu delírio. Faço
o que quero no meu reino de marchas, dois cavalos guiados pela direita e pela
esquerda, passado e futuro, itens de um sujeito confuso mas em pleno movimento,
exatamente como deve ser, exatamente como sou. Sorrio na palestra profunda da
moralidade mais fascista que já vi. São lindos, todos de plástico. Sou da
expectativa. Mesmo porque não sei o que esperar de algo que mau sei olhar, que
mau sei o que é e dá um fogo em mim que me faz cosquinhas de perder o rumo.
Fico criança, fico ridícula, fico assim como uma cachorrinha correndo atrás da
irmã do dono. Atenção para o novinho, para o pequenininho, para o bobinho, o
que me escapa sempre porque aparece só lá no fim da fila, quando já estou
cansada. Começo agora pelo fim, nova regra do sorriso que me espera tímido e
sem jeito, com vontade de nascer não se sabe como. E meu desejo de caçar por
aí, incoerente e passageira, acelerando, me faz relaxar com os parâmetros
construídos duramente pela minha família e incoerente comigo mesma me traio com
muito prazer. O meu maior prazer é me trair, evoluo assim.
Durmo bem e acordo
com dor na garganta, numa glândula do lado esquerdo que ao longo do dia
melhora. Coisas estranhas acontecem quando estamos dormindo, somos nós mas não
temos nós.
quinta-feira, 22 de maio de 2014
quarta-feira, 21 de maio de 2014
De um pulo pra cá criei uma faísca na adversidade que sempre
me encontrei. O sangue na minha pele pode ser de outra cor, pode ser da cor do
latido do cachorro mais distante daqui. A tal da ponte que construí foi sem
querer, como quando a gente automaticamente dirige para o caminho errado e só
se dá conta quando não há retorno. Se a via é de mão única, bem Benjamim, o
pulo deve acompanhar o suspiro do sujeito que assiste o filme da diva. E não
sei mais se ele dorme ou se só fecha os olhos com medo de tanto sorriso noir. A
vida é feita de manchetes, ações curtas que, algumas vezes, se desdobram em
longas reportagens em cadernos especiais. Ou em uma nota na coluna social; ou
num anúncio pago no caderno de classificados, como naqueles dias em que nos
sentimos tão frágeis que qualquer telefonema nos leva ao canto do vento. É
tarde e ouço gritos de criança. Junto os farelos de pão no prato com a ponta do
dedo. Disperso a atenção da tela procurando meu ponto final. A irritação com a
criança é imperiosa. Como disse Torquato: pra mim chega.
terça-feira, 20 de maio de 2014
A genialidade de ouvir
Escutei, outro dia, uma definição muito interessante sobre o que é um gênio. Me disseram que gênio é a pessoa que se abre a inteligência universal. A princípio estranhei: onde está o indivíduo então? Na troca, no acesso com a sabedoria que existe no mundo espiritual que vai muito além da nossa ínfima compreensão (não entendemos sequer a natureza quanto mais aquilo que não alcançamos racionalmente). Se a inspiração é solução soprada pela espiritualidade, quem se propõe a construir pontes de diálogos constante com outras esferas ganha a cada pensamento, mantendo-se numa sintonia mais elevada e buscando a evolução nos pequenos conceitos diários.
Meu ego saltou quando comecei a sentir que tem muito menos de mim em vários processos criativos do que imaginava (como nesse texto, por exemplo). Ontem, ao realizar uma leitura dramática no Festival de Teatro de Tiradentes, tive a comprovação empírica de tal. Me conectei com meus mentores antes de entrar em cena, estava muito cansada e a personagem me exige uma disposição e atenção física durante toda a leitura. De forma tranquila e consciente fui sendo levada a experimentar sensações e sentimentos nunca vivenciados naquele texto. Chorei de verdade, tremi, gaguejei e sorri como se fosse apenas um material de troca entre a dramaturga, a platéia e uma outra dimensão que se expressava em mim, por falta de suporte melhor.
De qualquer forma foi maravilhoso sentir a ampliação das minhas fronteiras e vivenciar a experiência de que minha vida não é só minha, muito menos só para mim. O que poderia ter sido um surto psicótico ou um conflito narcísico aguçado pela exaltação ao eu, transformou-se num êxtase confirmando o infinito do teatro e da arte de representar com todo o coração e respeito a quem cuida de nós sem que saibamos quem sejam. Aos deuses do teatro o meu amor e gratidão eternos.
quinta-feira, 15 de maio de 2014
sexta-feira, 19 de abril de 2013
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